23 outubro 2007

Abel

Seu nascimento foi invitro, dele e mais 59 em um mesmo dia. A densidade demográfica era tanta que metade morria na mesma semana. Abel não quis assim.
Era diferente dos demais, era inquieto, não entendia toda aquela confusão. Ía de um extremo ao outro procurando uma forma, um caminho que o levasse longe dali. Não tardou para que desistisse, era terrível o quanto limitado era aquele lugar!
Até que um dia algo novo surgiu no lugar. Aquela enorme rede amarela apavorava a todos, perseguindo vorazmente pobres seres para...para sair dali! Abel imediatamente recorreu ao mais antigo da aldeia. Impacientemente puxou o pobre senhor levando-o para fora da sombra apontando para a enorme rede que ainda não havia capturado ninguém. O velho de nada sabia.
Há tempos todos daquele lugar estavam abandonados, sujos, famintos. Suas únicas fontes de alimentos eram aqueles que não sobreviviam nas primeiras semanas, uma realidade inimaginável para Abel. Este comia as folhas e talvez por isso fosse tão pálido e apagado, sendo alvo de intermináveis gozações.
A rede então para. Inerte, Abel sente a terrível angústia de viver ali e o imensurável medo de partir. nunca foi além dos limites. "Não vá!Sufoca!", diziam. Ele foi.
Ato talvez inacreditável para a imensa rede, que ainda custou a se mover. De súbito, Abel, envolvido pelas cordas amarelas foi acometido de uma apnéia tão profunda que pensou estar sentindo a morte daqueles que viu partir nas primeiras semanas de vida, na boca de seus conhecidos. As cordas arrancavam-lhe as vestes ferozmente e uma luz e uma massa quente e seca pareciam lhe absorver a vida.
Abel contudo não lamentava. finalmente vira além daquele pequeno universo verde e escuro em que vivia. Objetos e seres extraordinariamente atraentes surgiam sobre seus olhos ardidos até que a rede sumiu. Se desespera. Uma grande pressão o puxou para baixo. Já exausto da esperiência, Abel desmaia. Já não consegue respirar.
Quando acorda, crédulo de sua morte, o jovem repara uma multidão a observá-lo. Assustado, se recolhe a uma pequena gruta próxima de onde estava. Era diferente, imensos e inúmeros seres o rodeavam. Era assustador, mas era bonito. Escondido, Abel aguardou até que partissem, até que pode ver: um lindo universo ilimitado diante dos seus olhos.
Esquecido do cansaço e de todo o desespero que acaba de sofrer, Abel parte velozmente para conhecer os limites daquele imenso lugar farto de alimentos e animais tão grandes como jamais visto antes. E como num passe de mágica, sua alegria infantil lhe traz de volta as cores que nunca vira antes em seu próprio corpo. Abel estava em casa, como nunca esteve antes. Longe da sujeira e do horror em que nasceu, sentiu seus sentidos vivos pela primeira vez.
De longe, Sophia observava atentamente todos os passos do pequeno peixe. Certificada a tolerância do peixe à água, a pequena menina de sete anos retorna à casa abandonada para trazer o restante dos Acarás. Aqueles que mais tarde fariam de Abel um imenso banquete de comemoração ao novo lar.

3 comentários:

Magali disse...

faço questão de ser a primeir a acomentar...QUE MERDA INFANTIL É ESSA?!
kkkkkkkkkkkk
mas é...fui eu

Mau formiga disse...

KKKKKKKKKKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ei pô

Dei pouco valor nao viu!!

KkkkkkKkkk

o póbi do peixe abel... =(

Beijo!!!

Capitão-Mor disse...

Olhe que dava um belo conto infantil! Muito bem escrito...Parabéns!

Coleção Pingos de Quê - by Magaliana