07 fevereiro 2008

Em que pé estamos?

Já pararam para pensar em que lugar, exatamente, nos encaixamos no processo evolutivo? Segundo alguns estudiosos que não vêm ao caso agora, o processo evolutivo não se dá de forma linear. Em um gráfico a linha da evolução pode ser definida como ondas chegando próximo à praia. As cristas e vales das ondas são cada vez mais altas e mais próximas.
É como uma montanha russa. Descobrimos coisas novas, desenvolvemos tecnologias e comemoramos brigando feito javalis por uma fêmea, uma gelada ou por que o outro olhou estranho no meio da muvuca do carnaval.
Tudo bem. Não acho prudente negar os instintos animais, pois assim somos. Mas quando chega um momento em que me deparo com um país continental, inteiro, se ferrando em todos os aspectos possíveis e imaginários, só pelo prazer (povo sádico). E pior, dançando por cinco dias úteis apenas DUAS músicas (se é que podemos chamá-las assim). Dois barulhos duvidosamente harmônicos que nada mais pregam que a total depravação humana.
Vamos todos sucumbir em nosso vômito daquela cachaça barata sabor menta que bebemos. Vamos todos f**** por conta própria, já que passamos por isso todos os dias querendo ou não, seja pelo governo, pelo patrão, ou mesmo pela m**** do professor. Por que não? Somos todos desgraçados, mesmo!
É triste, minha gente, que ninguém mais se lembre dos mais desafortunados. Se a pipa do vovô não sobe mais, o corintiano enfartou agora à pouco (e não foi com o rebaixamento, mas com a camisa), o rapaz já não deixa dúvidas de que é afim de merecer algum reconhecimento, ninguém liga, ninguém escuta mais. Não que sejam bons frutos das manifestações fúteis de outrora, mas aliviaria o set list (duas músicas... por deus...).
Estamos no vale, a ponta do vale da onda evolutiva. E digo mais, estamos no momento em que a onda puxa a água então carrega o vale da onda anterior ainda mais longe de onde o ponto positivo poderia estar. Ou não! Por Deus! Isso é o que mais assusta. Já atolamos, dançamos feito mortos, estrebuchamos feito lacraias, bebemos até cair, e acreditem, ainda pode piorar! Seres humanos são ótimos nisso.
Vamos torcer para que pelo menos, ano que vem possamos ouvir mais de duas músicas, com batidas diferentes, para que não tentemos suicídio ao sermos flagrados por nós mesmos, ou pior, por algum debochador, cantando créu.
Quem sabe um descendente meu veja a crista da onda, um dia.

13 comentários:

- Carolzinha ' disse...

meus deus! nunca parei pra pensar nisso não!
acho legal da sua parte falar sobre tudo isso, odeio quando as pessoas vão em festas e não proveitam nada, pq bebem e passam mais da metade da festa mal, e vomitando -.-
falou tudo!
=*

Antonio Ximenes disse...

Mariana.

Fico muito feliz de encontrar pessoas que tenham a mesma opinião que eu.

A música nacional de qualidade não consegue patrocinio para atingir as grandes massas.

Enquanto isso.

As rádios e os palcos se enchem com essas ditas "músicas" com letras idiotas e sem sentido.

"Créu"
"Na boquinha da Garrafa"
"A Onda é namorar pelado"

As gravadoras e seus empresários escolhem o que devemos ouvir e comprar.

Eu prefiro ser esse pitoresco caçador de músicas antigas... fã de músicas com melodia e letras que me fazem "pensar".

Pensar não dói... constrói... rs.

Eu detesto AXÉ... ou qualquer coisa que os baianos tenham inventado... (tirando a Tropicália... claro).

Eu ODEIO... o Forró moderno que imita o AXÉ... com suas letras do tipo:

"Me jogue na cama me faça mulher"

Nosso povo está evoluindo "na direção errada"... e logo logo... vamos nos tornar "amebas".

Gostei do teu texto...
... ele me fez pensar.

Abração forte pra ti.

Dante Accioly disse...

Hum... Acho que vou remar um pouco contra a maré dos comentários anteriores. Não acho que ninguém decida nada por nós. Não acredito na força esmagadora, nessa "ditadura" de uma indústria cultural que determina o que vemos, ouvimos, lemos, pensamos, enfim. Acho que há "sugestões", vamos chamar assim. A tal da indústria cultural sugere (bastante persuasivamente, admito), e quem quer compra. As pessoas não vão dançar em bloco tal ou qual no carnaval porque são forçadas. Não mesmo. Vão porque querem ir, porque de alguma forma extraem algum prazer daquilo. Não curto isso, mas não condeno quem faça. Prefiro ouvir as coisas que gosto de ouvir (porque são coisas que a mim me dão prazer), mas não sofro porque mais da metade da humanidade ouve créu ou dança na boquinha da garrafa. Problema deles. Não tenho a menor pretensão de convencer o mundo do que é o "bom", a "verdade", o "culto". Até porque quero me dar o direito de um dia ouvir um axé simplório no rádio e admitir que gostei (como já acontecveu, graças a Deus). Não que você, Mariana, ou que os comentaristas aí de cima tenham a pretensão de converter o mundo. Mas acho que talvez a gente corra um risco desnecessário "pregando" posições como essas, entende? Putz, acho que escrevi demais...

Dante Accioly disse...

Só para completar: acho que a gente corre o risco desnecessário de parecer querer estar "por cima" no tal do processo evoluvito - o que, pelo menos para mim, é algo bastante vago e subjetivo quando o que está em questão é algo tão volátil quanto as preferências culturais, por exemplo.

Antonio Ximenes disse...

Dante.

Falo isso porque gosto de sua pessoa.

As vezes acho desnecessária a tua posição de "pregador do equilibrio".

Você não precisa disso.

Você é bem sucedido em tantas áreas.

Não precisa "mostrar-se" ou "exibir-se" de uma forma tão "equilibrada".

Você acaba por parecer exatamente aquilo que você "diz" estar criticando.

Sejamos humanos... escute...
Sejamos humanos !!!

Abraço meu amigo.

Formigando disse...

Uôu
Gostei do texto
polemizou tudo
ehehehe

Eu concordo com o q tu escreveu... e ponto

Bjao!

Sah disse...

Oi Mariana!

Essa questão é extensa... não é assunto assim pra um comentário só..rs.Mas enfim. Nós (e não digo só o Brasil) estamos num ponto crítico sim, e não é a primeira nem será a última vez. Prefiro manter o otimismo e acreditar na evolução(e fazer algo por isso!).
Me colocando entre os pontos de vista do Dante e do Antonio (eu sou a mais equilibrada hein?!rsrs), acho que a escolha só é possível a partir da consciência. A 'indústria cultural' sabe o que o povo compra, o povo continua comprando o q ela oferece e o ciclo continua. Quem tá mais apto a quebrar essa cadeia? O povo que rala de sol a sol, mal pode estudar e tá mais afim de se divertir (o que é mto justo!) ou quem põe a coisa pra rolar? Não dá pra negar o poder de uma gravadora, uma emissora de rádio e tv!
O povo escolhe o que quer? Escolhe. Mas quem dá as opções?!
A gnt tem é que fazer chegar coisas de mais qualidade às massas, 'educando' o gosto...
Ih! essa conversa vai longe... tá bom por aki! rsrs.. Nem sei se falei coisa com coisa!

Grande abraço moça!

Mariana Araújo disse...

Gente, vou ser bem sincera agora. Escrevi esse texto mais como desabafo de quem ainda dorme pertubada com a overdose de duas músicas nem um pouco agradáveis aos meus ouvidos, e só brinquei com o negócio de imaginar o processo evolutivo. Eu sinceramente acho até necessária a existência dessas fases um tanto duvidosas da sociedade como um todo.
Eu brinco carnaval, até canto vez por outra alguma música que definitivamente abomino, para descontrair. Faz parte.
Conforme Dante, não acho que haja uma ditadura, mas que sofremos tiroteios infindáveiz de boabgens todos os dias levamos. è como o vírux HIV, ele ataca rapidim, mas é você quem o procura, mesmo sem saber. E quando ele te pega nem opr isso quer dizer que você vai adoecer, rs.
Ok, analogia estranha, sempre faço analogias estranhas. No mais, não tinha itnenção de provocar um questionamento tão grande, até por que a dualidade faz parte do processo evolutivo, ao meu ver. Então isso se aplica às artes, às tecnologias (coisa linda a briga da Apple com a Microsoft, vejam só que belíssima tecnologia nos rendeu).
Sem brincadeira gente, tudo o que eu queria, apenas, era ouvir mais de duas músicas por carnaval, rs, da qualidade que fosse. A freqüência das batidas da mesma música era tanta que já estavam desnaturalizando meus neurônios...rs
beijo, e obrigada a todos por essa discussão tão gostosa.

Dante Accioly disse...

Xiba,

Não sei de onde você tirou essa idéia de "pregador do equilíbrio". Deu até vontade de rir quanto vi isso no seu comentário porque honestamente não me vejo assim. A imagem que tenho de mim é de um tipo antipático, turrão, teimoso e – principalmente, acima de tudo – parcial. Costumo ter lado nas discussões que travo. Defendo por vezes de maneira agressiva minhas posições. Mas tem uma coisa que aprendi com os anos que pesam sobre minhas costas: jamais, em hipótese alguma, desrespeito pontos de vista divergentes. Se você leu com calma o que escrevi, tem lá: "Não tenho a menor pretensão de convencer o mundo do que é o 'bom', a 'verdade', o 'culto'". E não tenho mesmo, meu amigo. Mas isso não quer dizer que não tenha minhas opiniões. Tenho. Mas sei que elas servem para mim. Só para mim. Em relação a esse texto, por exemplo, minha opinião é diferente da sua. Mas consigo conviver bem com essa diferença, sem ter a intenção ou mesmo o ânimo de tentar converter você ou quem quer que seja para "o meu" lado. Entende? Será que tem algo de errado nisso? Acho que não, né? O que acho errado (eu acho, mas você não é obrigado a achar) é o sujeito se fechar para o mundo. Acho errado condenar o outro por ouvir músicas das quais não gosto; ou por ir a festas que não freqüento; ou por adorar deuses que não cultuo; ou por votar em candidatos que não apóio; ou por ser de um país diferente do meu; ou por ter preferências sexuais contrárias às minhas; ou por tudo o mais. O que acho errado é “condenar”. Condenar o outro por seu modo de ser, para mim, remete a extremismo e intolerância – posturas das quais fujo como o cão da cruz. Mas essa, mais uma vez, é só minha opinião. Claro que todos têm direito de discordar dela sem que eu entre em depressão profunda por causa disso. Repito o que escrevi antes: as pessoas fazem o que querem porque extraem prazer disso (assim como eu e você extraímos prazer de onde bem entendemos). Não me acho no direito de dizer a você, um sujeito que respeito, de onde deve extrair seu prazer. Não me acho no direito de dizer aos foliões que tremem na boquinha da garrafa que parem de fazê-lo só porque eu não dançaria aqueles passos. Não me acho no direito de interferir porque, se para mim aquilo não dá prazer, para eles dá. Para eles, importa. E acho justo respeitá-los. Para mim, basta que eu esteja bem fazendo as coisas de que gosto. Se os outros estão bem curtindo outras experiências, tanto melhor. Não acho que isso faça de mim um “pregador do equilíbrio”... Aliás, talvez eu esteja errado nesse ponto. Talvez isso faça, sim, de mim um “pregador do equilíbrio”. Mas não porque eu “precise mostrar-me ou exibir-me de uma forma tão equilibrada”, como você sugeriu. Mas porque acredito verdadeiramente nesse modo de ser. Tem só mais um detalhe que gostaria de comentar. Se sou bem-sucedido em tantas áreas, como você acredita que sou, não vejo o que isso tenha a ver com o fato em questão. Sinceramente, não consegui captar a mensagem. Não quero crer que você esteja supondo que quem é "bem-sucedido" pode tudo, pode se impor sobre os demais. Não quero crer que você pense assim porque é uma imagem bem diferente da que guardo carinhosamente de você. Um abraço grande.

"Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo". (Voltaire)

P.S.: Mariana, seu blog é ótimo. Desculpe pelos comentários enormes. Mas, entre muitos, tenho dois defeitos: 1) adoro o bom debate; 2) sou muuuuuuuuuuito prolixo. :) Até a próxima.

Guabiras disse...

Realmente...

contando que as ondas
sejam extremamente gigantescas
como disse o Fantástico,
é não se envolver
e deixar esse mundo acabar...

L7 é a solução!

cheiro na testa

Antonio Ximenes disse...

Mariana.

Acredito que quando você escreveu esse texto, não estava com a intenção de iniciar um debate inflamado.

Você queria apenas discorrer sobre um tema que "martelou" sua cabeça durante o carnaval.

Coisa simples.

O que me resta é parabenizá-la.

Essas discussões honestas que acontecem repentinamente em locais inusitados... instigam força e um certo fogo em nossas massas cinzentas.

O legal... o fascinante nessa história... não é tomar parte de "a" ou "b".

E sim.

Fazer parte... isso mesmo... participar... e sobretudo, conseguir divergir posições com a simultaneidade de uma amizade que ainda se perpetua.

Continue levantando assuntos interessantes.

Um grande abraço do Pitoresco.

Carol Garcia disse...

esse texto seria mais ou menos pra gente tenta pensar no valor das coisas :?
Vc falo q me rende bons textos e duidos sentimentos ne moçaa ^^

Dante Accioly disse...

Tem uma música que o Gilberto Gil gravou em um disco maravilhoso chamado "O sol de oslo". Nessa música tem um verso que talvez resuma a relação entre o que a indústria cultural oferece e as escolhas que o público faz. Lá vai:

"O povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe".

Concordo com o que a Sah escreveu alguns comentários acima: "O povo escolhe o que quer? Escolhe. Mas quem dá as opções?!". É isso. Abraço. Até a próxima.

Coleção Pingos de Quê - by Magaliana